O curso de Pedagogia da Fatec Ivaiporã deu sequência ao evento Pedagogia em Foco III para acadêmicos, professores e profissionais da educação. Na quarta-feira, dia 20 de maio, foram discutidos os impactos da neurociência no processo de aprendizagem, especialmente diante da hiperconectividade e das transformações provocadas pelo uso intenso das tecnologias digitais.
A programação contou com palestra da neurocientista Leila Pryjma, que abordou o tema Cérebro, Leitura e Escrita: o que diz a Neurociência? A programação incluiu a apresentação do projeto de iniciação científica da acadêmica de Pedagogia, Viviane Silva, intitulado Neuroplasticidade e Aprendizagem na Era Digital: as implicações da hiperconectividade para o cérebro.
Viviane Silva apresentou o estudo que discutiu alterações relacionadas à atenção, memória, linguagem e organização do pensamento em crianças e adolescentes expostos de forma excessiva às telas.
Segundo a acadêmica, muitos professores têm percebido entre os estudantes maiores dificuldades de concentração, necessidade constante de estímulos rápidos e menor tolerância à frustração. “A questão não está apenas no tempo de tela. Mas também na forma como a tecnologia é utilizada, mediação dos adultos e no equilíbrio com experiências concretas, leitura, diálogo e convivência”, explicou Viviane Silva.
Habilidades do cérebro
Durante a palestra, Leila Pryjma explicou que a leitura e a escrita não são habilidades naturais do cérebro humano e dependem de estímulo, mediação pedagógica e experiências significativas para se consolidarem. Além disso, diferentes áreas cerebrais trabalham de forma integrada durante o processo de alfabetização, envolvendo memória, linguagem, atenção, emoção e interpretação.
A neurocientista também chamou atenção para os reflexos do excesso de estímulos digitais no cotidiano escolar. “Crianças e adolescentes estão cada vez mais expostos a conteúdos rápidos, fragmentados e imediatos, o que pode dificultar a concentração em atividades que exigem leitura profunda, escuta e reflexão”, alertou Leila Pryjma explicando que o cérebro se adapta ao ambiente em que vive. “Quando tudo ao redor estimula respostas rápidas, a escola também precisa ensinar o estudante a desacelerar e aprofundar o pensamento”, afirmou.
Para Leila Pryjma, o cérebro aprende melhor em ambientes acolhedores, seguros e afetivamente organizados. “A aprendizagem não envolve apenas conteúdo. O cérebro que aprende também sente, cria vínculos, enfrenta inseguranças e precisa encontrar sentido naquilo que faz”, comentou.
A coordenadora do curso de Pedagogia, Fabiane Zilio, disse que a Pedagogia em Foco III trouxe discussões necessárias sobre aprendizagem, alfabetização e os desafios da educação na era digital, enquanto o diretor acadêmico, Roni Ferreira, afirmou que discutir neurociência e desenvolvimento humano ajuda os acadêmicos a compreenderem melhor os desafios da educação.
Galeria de Fotos:









