Foi oficialmente lançada na noite desta sexta-feira (29 de maio) a pré-candidatura do senador Sérgio Moro (PL) ao governo do Paraná. O evento, que ocorreu no White Hall do Jockey Club do Paraná, contou com a presença do presidenciável Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e foi embalado por muitos funks e críticas ao presidente Lula e ao Partido dos Trabalhadores (PT), como de praxe.
De acordo com a organização, cerca de 5 mil pessoas se inscreveram para participar do encontro, que serviu também para lançar as pré-candidaturas do ex-deputado federal Deltan Dallagnol (Novo) e do deputado federal Filipe Barros (PL) para o Senado. Moro, inclusive, relatou que muitas pessoas não teriam conseguido entrar no White Hall para participar do evento, devido à lotação do espaço.
“Vamos precisar cada vez de um lugar maior. A confiança é crescente, até a vitória. Não temos pão com mortadela para trazer as pessoas. Elas vieram porque acreditam no nosso projeto”, discursou Sergio Moro ao público presente.
Funks, críticas ao PT e promessa de combate às facções
De uma maneira bastante resumida, o evento da noite de hoje girou em torno de exaltações às candidaturas, críticas ao PT e à Lula e promessas de combate à corrupção e enfrentamento ao crime organizado. O último tema, inclusive, ganhou relevância especial após o encontro de Flávio com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, nesta semana. Poucos dias após a reunião, o governo estadunidense decidiu classificar o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho como organizações terroristas. Uma medida que, segundo Moro e outros presentes, teria atendido um pedido dos Bolsonaro a Trump.
“Primeiro quero dizer algo entalado na minha garganta: a República de Curitiba é nossa, o Paraná é nosso. Flávio, um privilégio ter você presente nessa data especial”, começou Moro em seu discurso. “Tivemos ontem um acontecimento extraordinário, que foi graças ao trabalho do Flávio Bolsonaro, que foi a colocação do PCC e Comando Vermelho na lista de terroristas dos EUA. Lula defende terrorista e ficou triste, ele disse isso hoje”, emendou ainda o senador paranaense e ex-juiz da Lava Jato. Ele, inclusive, foi apresentado diversas vezes ao longo da noite como “o homem que prendeu Lula”.
Para além dos temas em foco nos discursos da noite, entretanto, também chamou a atenção a curiosa utilização de funks para “embalar” o evento. As músicas, com letras mais políticas e que exaltavam Sergio Moro e Flávio Bolsonaro, tocaram repetidamente, desde antes do início da reunião e, depois, a cada intervalo entre discursos, como se pode ver no vídeo abaixo.
Flávio Bolsonaro “rouba a cena” e diz que em dois dias fez mais que o PT em 20 anos
Embora o evento fosse para lançar as pré-candidaturas de Moro, Dallagnol e Barros, a grande estrela da noite, inquestionavelmente, foi Flávio Bolsonaro. O pré-candidato a presidente pelo PL foi o nome mais ovacionado pelo público e também o mais mencionado pelos demais políticos em seus discursos, sendo apresentado como o “filho da esperança”. Moro, por sua vez, virou “a voz da Justiça que o Brasil conhece”.
Em seu discurso, Flávio prometeu “resgatar” o Brasil do PT e disse, ainda, que seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, é perseguido pelo sistema.
“Toda vez que alguém estiver num momento difícil, for reclamar da vida, lembra de onde o Jair Bolsonaro está. Desde 2018 essa perseguição começou, porque o sistema não suporta ouvir a verdade, não suporta um presidente honesto, que pegou a bandeira do Brasil na lata do lixo e ergueu”, discursou. “Já tentaram matar meu pai com uma facada, mas Deus protegeu meu pai. E eles vão tentar fazer de novo, não tenham dúvidas. Mas isso [candidatura dos Bolsonaro] é projeto de Deus”, emendou ainda ele.
O político também exaltou o encontro que teve com Trump nesta semana, colocando-se como o responsável por fazer os EUA classificarem o PCC e o CV como organizações terroristas. “Enquanto Lula foi lá fazer lobby pelo PCC e CV, nós fomos lá lutar contra eles. Em dois dias fizemos mais que o PT em 20 anos”, disse Flávio.
Ele também comentou ironicamente que só vê dois motivos para Lula e o PT não terem “gostado” da decisão dos norte-americanos. “Ou Lula faz parte das organizações terroristas ou está sendo ameaçado por elas. Se for a segunda opção, Lula, a solução vai ser votar no Flávio Bolsonaro”, afirmou ainda o senador do PL, apostando que a partir do ano que vem “o PT vai voltar pro lugar de insignificância dele e nós não vamos mais falar de PT”.
“Vamos fazer do Paraná uma fortaleza”, promete Moro
Sobre a candidatura ao governo do Estado, Moro disse que vai fazer do Paraná uma “fortaleza”, e que isso não se referiria apenas a uma questão de segurança pública, mas também a uma “fortaleza espiritual”.
“Vamos resgatar que princípios e valores não são caros. Aqui vai ser a terra da prosperidade. Salto de inovação e tecnologia. Vai ser a melhor segurança pública do país. Vamos fazer o Paraná o estado mais seguro da federação. Teremos presídio estadual de segurança máxima e vamos derrotar o crime organizado”, prometeu Moro, afirmando ainda que vai valorizar professores e melhorar a Saúde para acabar com as filas de atendimento, criando uma tabela SUS paranaense para remunerar adequadamente os serviços médicos.
“Vamos fazer do Paraná uma terra livre da corrupção. Ninguém lutou mais contra a corrupção nesse país do que eu. Vamos criar a primeira agência estadual anticorrupção do país. Não vamos fechar os olhos para os escândalos de corrupção aqui no Paraná. Se Brasília virou uma Sodoma e Gomorra, vamos mostrar que aqui é terra de gente honesta, que trabalha e produz”, discursou ainda Moro.
Filipe Barros celebra aniversário no palco
Barros, curiosamente, completou 35 anos nesta sexta-feira, idade mínima para concorrer ao Senado. Sua família, então, subiu ao palco com ele num determinado momento, para cantar parabéns numa versão meio forró, tocada em sanfona.
Já em seu discurso, disse ter o sonho de ver integrantes do MST presos, de ver Lula preso novamente e de também de ver o filho do petista, Lulinha, na cadeia. Segundo ele, com Moro teremos “a República do Paraná, onde petista não se cria”.
Fonte: Bem Paraná






