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Assentamento 8 de Abril: Celebrando 27 anos de resistência e conquistas

Localizada no Paraná, a comunidade é formada por mais de 500 famílias que construíram cooperativa e espaços comunitários de lazer, e hoje é lugar de vida digna e produção de alimentos

“Fomos muito bem acolhidos por essa comunidade, e conquistamos nossa terra junto com as famílias que aqui estão. Aprendemos muitas coisas boas. Hoje temos nossa casa própria que antes nunca tivemos. Hoje nossa terra pra trabalhar e produzir nossos alimentos saudáveis”, conta a camponesa Nilce Pasa, que junto ao esposo e três filhos faz parte das mais de 500 famílias do assentamento 8 de Abril, em Jardim Alegre, centro-oeste do Paraná. 

A história deste Assentamento teve início em 8 de abril de 1997, quando um grupo de cerca de 300 famílias do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) ocupou as terras da improdutiva Fazenda Corumbataí. O que começou como uma demanda por direitos evoluiu ao longo dos anos, transformando-se em um símbolo de resistência e esperança. Após inúmeras batalhas judiciais, em 2004, o Assentamento foi oficializado, proporcionando um lar e oportunidades para mais de 550 famílias. A data em questão batizou a área de 13 mil hectares.

Ao longo desses anos de construção da reforma agrária, muitas conquistas foram alcançadas, incluindo a fundação, em 2009, da Cooperativa de Comercialização Camponesa do Vale do Ivaí (COCAVI) pelas próprias famílias assentadas. O que começou com 26 sócios-fundadores atualmente abrange 378 sócios em oito municípios do Vale do Ivaí.

 A COCAVI não apenas oferece uma plataforma para comercialização de produtos, mas também promove a coleta de leite, venda de hortifrúti e prestação de serviços aos seus membros. Ela opera quatro agroindústrias essenciais para o desenvolvimento da região, além de fornecer alimentos saudáveis para os programas de Aquisição de Alimentos (PAA) e Nacional de Alimentação Escolar (PNAE).

Loja agropecuária e mercearia da COCAVI na comunidade central. Foto: Ana Clara Garcia Lazzarin

A produção de alimentos saudáveis e agroecológicos do Assentamento abastece 29 escolas em oito municípios da região, por meio do Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE). Além disso, ocorre a venda direta em mercados e comércios locais. O fortalecimento da agroecologia avança principalmente com a produção de feijão, soja, alho, ovos caipiras e sementes em geral. 

Uma das linhas de produção da comunidade é o soja orgânico. Foto: Indianara Maia

Para o dirigente nacional do MST e morador do Assentamento Valdemar Batista, conhecido popularmente como Nego, é muito gratificante poder celebrar mais um aniversário da comunidade. Ele fez parte da ocupação da área, ainda bastante jovem. “Celebrar esses 27 anos é lembrar que a criança que nasceu lá no acampamento tem hoje 27 anos, talvez seja pai ou mãe já”. 

O camponês e produtor agroecológico lembra também ser um mês de Jornada de Lutas para todo o MST, em memória ao Massacre de Eldorado do Carajás, ocorrido um ano antes da ocupação da área. “Nosso Assentamento é um marco do MST na região centro-oeste, um marco do MST no Paraná, é fruto de todo um esforço do nosso MST pra que hoje nós tivéssemos esse Assentamento e muitos outros que foram acontecendo, motivados pela nossa luta e organização”. 

Nesses 27 anos, a luta pela terra entrelaçou-se com a batalha pelo direito à educação em um cenário onde esta se torna tão vital quanto o próprio alimento produzido por essas famílias. Além da cooperativa, os assentados e assentadas conquistaram duas escolas dentro da comunidade – uma estadual e outra municipal – que asseguram acesso à educação de qualidade para todas as crianças, sem a necessidade de sair do campo para poder estudar. Atualmente, conta com 318 educandos matriculados.

 Escola estadual do campo José Martí. Foto: Arquivo MST

Nilce Pasa também relembra dos tempos de pandemia da Covid 19 e dos atos de solidariedade, e que os assentados arrecadaram e doaram dezenas de toneladas de alimentos para família urbanas da região: “É uma alegria muito grande pra gente, e muito além disso, é aprender a trabalhar no coletivo, a solidariedade. Foi um ponto muito forte pra mim que eu aprendi dentro da nossa organização”.

Nilce Pasa contribuindo na doação de alimentos durante a pandemia para comunidades Ivaiporã-PR Foto: Alan Bruno Ferreira

As relações com as cidades ao redor do Assentamento se intensificaram por conta de parcerias com instituições de ensino, agroindústrias da cooperativa que estão instaladas na área urbana dos municípios de Jardim Alegre e Godoy Moreira, além dos laços criados durante a pandemia, onde centenas de famílias camponesas se uniram para arrecadar variedades de alimentos saudáveis e doar para aqueles que necessitavam nas cidades da região. A presença do Assentamento na região também gerou o fortalecimento da economia local, com ampliação da movimentação do comércio.

O MST no Paraná se organiza por brigadas, agrupadas a cada 500 famílias, em média. No caso do Assentamento 8 de Abril, às famílias formaram uma brigada única, batizada de Zumbi dos Palmares, em homenagem ao líder e guerreiro quilombola. O mesmo nome foi dado ao famoso ônibus da brigada. Comprado em 2006 com a contribuição de R$ 72 de cada assentado, o ônibus “Zumbi” já percorreu milhares de quilômetros Brasil afora, levando militantes para diversas ações e lutas. 

Ônibus da brigada Zumbi saindo para levar militantes para evento. Foto: Arquivo MST

Além de ser uma brigada única, o Assentamento está organizado em seis comunidades. Cada uma delas possui um espaço coletivo onde são realizados eventos religiosos, grupos de jovens, coletivos de mulheres e ações comunitárias em parceria com a cooperativa e outras entidades. Os espaços contam, em sua maioria, com campos de futebol e salões de eventos.

 Jogo de futsal feminino na primeira edição da copa COCAVI. Foto: Daniela Bueno

Fonte: Ana Clara Garcia Lazzarin
Do Setor de Comunicação e Cultura do MST-PR 


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