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Vicaricídio: Você Sabe o que Significa o Novo Crime de Violência Doméstica?

Você já ouviu falar em vicaricídio? Este é o nome de um novo crime, incluído no Código Penal brasileiro, que busca proteger as mulheres de uma das formas mais cruéis de violência: usar os próprios filhos ou entes queridos para atingi-las.

Vamos entender melhor o que essa nova lei significa para a sociedade.

O que é o crime de Vicaricídio?

Imagine uma situação de violência doméstica em que o agressor, para causar o máximo de dor, sofrimento e controle sobre a mulher, decide matar alguém que ela ama profundamente.

É exatamente isso que a lei define como vicaricídio. O crime acontece quando uma pessoa mata um descendente (filho, neto), ascendente (pai, avô), dependente, enteado ou qualquer pessoa que esteja sob a guarda ou responsabilidade direta da mulher.

O ponto principal aqui é a intenção do criminoso: o objetivo não é apenas tirar uma vida, mas usar essa morte como uma arma para punir, controlar ou causar um sofrimento psicológico extremo na mulher.

Qual é a punição para o Vicaricídio?

A lei considera este crime extremamente grave. A pena estabelecida é de reclusão de 20 a 40 anos.

A pena pode ser ainda maior?

Sim. A lei prevê que a punição pode ser aumentada em até metade em algumas situações específicas, que tornam o crime ainda mais cruel. São elas:

  • Se o crime for cometido na presença da mulher que o agressor deseja atingir.
  • Se a vítima for uma criança, adolescente, idoso ou pessoa com deficiência.
  • Se o agressor já estivesse sob uma medida protetiva de urgência (como uma ordem de afastamento) e a descumpriu para cometer o crime.

Por que essa lei é tão importante?

O vicaricídio reconhece e nomeia uma forma de violência de gênero que, infelizmente, já era uma realidade para muitas mulheres. Ao atacar um filho ou um parente próximo, o agressor busca destruir a mulher psicologicamente, em um ato de extrema covardia e perversidade.

A criação deste crime específico ajuda a dar visibilidade a essa violência, garante uma punição mais severa para o agressor e reforça a proteção às vítimas de violência doméstica e familiar.

É um passo fundamental para mostrar que a vida de todos importa e que usar um ente querido como instrumento de vingança e sofrimento é um ato intolerável e severamente punido pela Justiça.

PAULO CÉSAR BUENO JUNIOR

OAB-PR 75.069

Advogado Criminalista

Professor de Direito Penal

Pós-graduado em Praticas Penais Avançadas

Autor do Livro: Não Militamos Segundo a Carne


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