A corretora de criptomoedas Binance suspendeu os saques de sua plataforma após sofrer um desvio recorde de US$ 6,3 bilhões (cerca de R$ 34 bilhões). Classificado por especialistas em cibersegurança como o “roubo do século”, o ataque não envolveu a quebra da infraestrutura da blockchain ou o uso complexo de Inteligência Artificial (IA), mas sim a exploração do fator humano. Os invasores obtiveram acesso ao sistema financeiro por meio do comprometimento de credenciais legítimas pertencentes a um engenheiro de operações da empresa.
Dinâmica rápida e impacto no mercado
A fraude foi executada em um intervalo de apenas 10 a 20 minutos. Os criminosos usaram os acessos válidos para realizar alavancagens e contrair empréstimos na rede Ethereum antes que as ferramentas de segurança pudessem congelar as transações originais. O ineditismo do episódio gerou pânico e derrubou o mercado digital, fazendo o Bitcoin recuar mais de 4%, para a faixa de US$ 80 mil. A Binance informou já ter bloqueado quase metade do volume movimentado e garantiu o ressarcimento dos clientes afetados por meio de um fundo de reserva.
Segurança e suspeita internacional
Especialistas ressaltam que a criptografia das moedas virtuais permanece estruturalmente intacta e que a IA pode ter auxiliado, no máximo, a aprimorar técnicas de engenharia social. A verdadeira ameaça futura de quebra de segurança, alertam, deve surgir apenas com o avanço da computação quântica. Enquanto trabalha para restabelecer os saques, a corretora e as agências de inteligência rastreiam o dinheiro. Segundo a Binance, há indícios robustos de que o ataque foi orquestrado por grupos de elite da Coreia do Norte (como o Lazarus), os mesmos responsáveis pelo desvio milionário na corretora Bybit em 2025.
Fonte: O Globo





