Um dos casos mais debatidos da literatura jurídica ganhou vida no auditório da Fatec Ivaiporã. Acadêmicos do 1º período do curso de Direito participaram de um júri simulado baseado em O Caso dos Exploradores de Cavernas. Trata-se da obra do jurista norte-americano Lon Fuller – publicada em 1949, que provoca reflexões sobre justiça, moralidade e interpretação das leis.
O júri simulado integrou a disciplina Clínica de Comunicação e Interpretação Jurídica, ministrada pela professora Iara Moraes, e reuniu estudantes em diferentes funções do processo judicial. Entre acusação, defesa, magistrados, jurados e testemunhas, os acadêmicos viveram na prática a dinâmica de um tribunal.
O caso fictício narra a história de exploradores que ficam presos em uma caverna após um desmoronamento. Diante da falta de alimentos e da iminência da morte, os personagens tomam uma decisão extrema para sobreviver. A partir desse contexto, surgem discussões que atravessam gerações de estudantes e profissionais do Direito. A aplicação da lei deve ser literal? Situações excepcionais justificam decisões fora dos limites legais? Até onde vai a interpretação jurídica?
Tribunal do Júri
Segundo a coordenadora do curso de Direito, Pollyana Ferreti, a escolha do tema leva em consideração o perfil dos acadêmicos que estão iniciando a graduação. Pollyana Ferreti explicou que a proposta é desenvolver a oratória, a argumentação e a compreensão do funcionamento do Tribunal do Júri. “Os acadêmicos aprendem a se posicionar, sustentar ideias e a entender a postura que cada função exige no processo”, pontuou.
O júri simulado foi planejado, há meses, e os acadêmicos definiram previamente os papéis que desempenhariam durante a simulação. Alguns optaram pela acusação, outros pela defesa, enquanto outros preferiram atuar como juízes, jurados ou testemunhas. “Desta forma ajuda o aluno a compreender diferentes perspectivas do processo e identificar áreas do Direito com as quais tem mais afinidade”, observou Pollyana Ferreti.
Durante o júri simulado, os participantes apresentaram teses, questionaram testemunhas, defenderam posicionamentos e construíram argumentos diante dos jurados, reproduzindo etapas características de um julgamento real. Além do conhecimento jurídico, o júri simulado exigiu preparo, domínio da comunicação e capacidade de persuasão.
Para os acadêmicos, a experiência representou um dos primeiros contatos com situações que fazem parte da rotina profissional da área jurídica – além de saírem do auditório refletindo sobre o equilíbrio entre a letra da lei e os dilemas humanos.

Lúcia Lima – jornalista






