Ratinho Junior reuniu alguns de seus principais secretários e conselheiros políticos no fim da tarde de segunda-feira (3) para uma reunião na sede da rádio da família, que fica no bairro Santa Felicidade, em Curitiba. Lá é o QG do governador. A reunião foi longa e os presentes não puderam entrar com o telefone celular — a pedido de um dos partícipes.
Foram convocados para esta reunião, os secretários Sandro Alex, Márcio Nunes, Norberto Ortigara, João Carlos Ortega, o chefe de gabinete, Darlan Scalco, e Eduardo Sciarra, que é um dos fundadores do PSD no Paraná. Os “homens de confiança internacionais”, o marroquino Mehdi Mouazen e o marqueteiro argentivo Jorge Gerez, também participaram.
O Blog Politicamente conversou com alguns deles. Ratinho explanou, em alto e bom som, que Guto Silva é o candidato de sua preferência para sucedê-lo no Palácio Iguaçu e pagou uma missão à equipe de confiança: convencer Alexandre Curi a disputar o Senado Federal pelo PSD na eleição que se avizinha.
Ouviu quase de bate-pronto, que a incumbência é para lá de difícil — quase uma missão impossível — a ser cumprida nos próximos dias, já que o prazo de desincompatibilização se aproxima. Curi, assim como o ex-prefeito Rafael Greca, dão sinais que poderão deixar o PSD ainda no mês de março caso Guto seja realmente oficializado.
A preocupação de Ratinho, também exposta na reunião, é evitar a todo custo um racha dentro do PSD, que pode trazer consequências políticas e no discurso de campanha. A inquietude, porém, está muito mais concentrada em Alexandre Curi do que em Rafael Greca.
Até porque, o presidente da Assembleia Legislativa detém um capital político ramificado e estruturado em todo o Paraná com mais de duas centenas de prefeitos aliados — enquanto a força política de Greca está concentrada em Curitiba e RMC. Para contrapor esta força, a ideia é escalar Eduardo Pimentel.
Ofensiva
A partir de hoje, portanto, devem se intensificar os recados, as diretas e indiretas direcionados a Alexandre Curi para que ele tope o Senado com o pleno apoio de Ratinho Junior e desista da ideia de disputar o Palácio Iguaçu.
Pessoas próximas ao presidente da Alep repetem, quase como um mantra, que ele está aguardando a conversa definitiva com Ratinho Junior para só depois, a depender do que vai ouvir, tomar uma decisão sobre o rumo que vai trilhar na eleição de 2026.
Mas um empecilho está posto: a anotação de Flávio Bolsonaro com o cenário eleitoral do Paraná colocando Deltan Dallagnol como candidato de Ratinho à Câmara Alta atrapalha a negociação. Embora sejam tão somente rabiscos do presidenciável, a notícia não caiu nada bem nos bastidores da política paranaense.
Soma-se a isso a confirmação de uma fonte do Partido Novo de que há sim conversas neste sentido, o que deixa a missão dada por Ratinho ao “núcleo duro” ainda mais complicada.
Uma fonte palaciana, no entanto, garante legenda a Curi ao Senado e pleno apoio de Ratinho caso ele tope o desafio. Nem que para isso seja necessário apertar a mão de Gilberto Kassab.
Próximo dali.. Guto reúne políticos em casa
Muito perto dali, estava Guto Silva — o mais interessado nesta conversa na sede da rádio da família Massa. O secretário das Cidades tem promovido reuniões semanais em casa para tratar de política. O grupo de convidados varia, mas a intenção é falar abrir diálogo com todos.
Pela segunda semana consecutiva, ele recebeu secretários de Estado e deputados para tratar sobre a disputa pelo governo — embora, respeite e aguarde o posicionamento oficial de Ratinho Junior sobre a sucessão. Mas no linguajar popular, “já está se mexendo e articulando”.
Estrategistas de Guto sabem que Curi detém o apoio de muitos dentro da Assembleia e de uma enorme quantidade de prefeitos, por isso este aproach. Ao mesmo, estão cientes que o secretário das Cidades não é unianimidade, longe disso, dentro do governo. Mas acreditam que a bênção de Ratinho vai arrefecer esta resistência.
Como a casa de Guto fica a pouco mais de 1 km da rádio de Ratinho, alguns participaram das duas reuniões — caso de Sciarra, Márcio Nunes e Sandro Alex.
Além deles, os deputados Cobra Repórter, Gugu Bueno, Luiz Cláudio Romanelli e Soldado Adriano, o presidente da Cohapar, Jorge Lange, Hudson Teixeira, da Segurança Pública, Eduardo Bekin, da Paraná Invest, Lúcio Mauro Tasso, da Casa Civil, e os prefeitos Denilson Baitala, de Guarapuava, e Marcel Micheletto de Assis Chateubriand.
O jornalista Hudson José, que cuida da pré-campanha de Guto Silva, também participou da reunião.
Cordeiro, picanha e política no cardário
Durante o convescote, servido semanalmente a um grupo de 20 a 30 autoridades, foi discutido o cenário poítico eleitoral do Paraná e as contribuições que cada um pode dar no plano de governo e ao grupo de trabalho pró-Guto Silva. No cardário, cortes da melhor qualidade — desde cordeiro até picanha, oferecidos pelo prefeito Baitala.
A Marcel Micheletto, por exemplo, caberá conversar com prefeitos para encampar a candidatura de Guto Silva. Não é por acaso. Micheletto é presidente da Associação dos Municípios do Paraná. E homem de confiança de Ratinho Junior.
Fonte: Blog Politicamente




