O governador do Paraná, Ratinho Junior (PSD), entra no último mês de governo nesta quarta-feira (4), depois de sete anos e três meses de mandato. Pré-candidato a presidente da República, ele precisará renunciar ao cargo até o próximo dia 4 de abril se quiser concorrer ao Planalto ou a qualquer outro cargo nas eleições deste ano. O prazo corresponde a seis meses antes do primeiro turno, marcado para o dia 4 de outubro, e é exigido pela legislação eleitoral para garantir a chamada desincompatibilização.
O objetivo da regra, prevista na Lei de Inelegibilidade, é assegurar o equilíbrio na disputa eleitoral, evitando que candidatos utilizem a máquina governamental em benefício próprio durante a campanha. O mesmo prazo também se aplica a outros ocupantes de cargos no Executivo que pretendam disputar as eleições.
Ratinho Junior deverá se desincompatibilizar mesmo que os ventos da política não permitam a candidatura presidencial e uma cadeira no Senado surja como destino mais provável. Com a saída dele, quem assume o posto até o fim do mandato é o vice-governador Darci Piana (PSD).
O governador deixará o Palácio Iguaçu com a popularidade em alta e um cardápio variado de entregas ao longo da gestão que culminará com a inauguração da aguardada Ponte de Guaratuba, no Litoral do Paraná.
O que o futuro reserva a Ratinho Junior?
Político da nova geração, Ratinho Junior vestiu bem a roupa da terceira via no cenário nacional. A ponto do seu partido nem cogitar uma aliança com Lula (PT) ou Flávio Bolsonaro (PL), que despontam como os principais presidenciáveis no recorte do momento. Adversários internos no PSD, Ronaldo Caiado e Eduardo Leite aos poucos vão ficando para trás, a julgar pelas pesquisas pré-eleitorais divulgadas desde o início do ano.
Na última delas, do instituto Real Time Big Data, encomendada pela RECORD e divulgada nesta terça-feira (3), o governador do Paraná aparece com 9% das intenções de votos contra 5% de Caiado e 4% de Leite. Ratinho Junior goza ainda de baixa rejeição, diferentemente dos dois extremos representados por Flávio e Lula.
A mesma pesquisa Real Time coloca Ratinho Junior empatado tecnicamente com o presidente e pré-candidato à reeleição Luiz Inácio Lula da Silva em um eventual segundo turno. Ou seja, as chances de sucesso nas urnas em outubro são reais.
Mas a aventura presidencial dependerá de uma análise de risco político que Ratinho Junior inegavelmente terá de fazer a partir de 4 de abril. Por exemplo: e se a tentativa de chegar ao Planalto der errado? O atual governador se verá sem mandato pela primeira vez em décadas. Será melhor garantir oito anos como senador e aguardar mais quatro para ambicionar a presidência novamente? São perguntas que, por enquanto, aguardam respostas.
Fora do Palácio Iguaçu, Ratinho estará livre para fazer articulações de “pré-campanha” em outros estados e junto ao próprio partido. Ele entrará em um momento decisivo, quando precisará demonstrar que sua candidatura ao Planalto é, de fato, viável e competitiva. Se mantiver uma trajetória ascendente – e consistente – nas sondagens eleitorais, tudo indica que conquistará a indicação do PSD, a ser manifestada entre 20 de julho e 5 de agosto, quando acontecem as convenções partidárias.
Sucessão estadual pega fogo: quem será o candidato do governador?
Nos próximos 30 dias, Ratinho Junior terá de dar um jeito no próprio quintal. Aliados que ambicionam se candidatar ao Executivo paranaense em outubro disputam com unhas e dentes o posto de “candidato do governador”. E é difícil imaginar outro cenário que não seja o governador anunciando sua decisão antes do fim do prazo de desincompatibilização.
A escolha, porém, não será fácil e tende a causar um racha no PSD. Disputam a indicação o secretário estadual de Cidades, Guto Silva, que integra o núcleo duro do governo; o presidente da Assembleia Legislativa, deputado Alexandre Curi; e o ex-prefeito de Curitiba e atual secretário de Desenvolvimento Sustentável, Rafael Greca.
Contrariando o que diz as pesquisas pré-eleitorais, Silva desponta como favorito junto ao governador. A avaliação é de que as intenções de voto subirão assim que Ratinho Junior oficializar seu apoio. Insatisfeitos, Curi e Greca cogitam buscar outra legenda para colocar as candidaturas na rua. O deputado tem como trunfo a adesão de vários prefeitos do interior e já declarou que será candidato a governador custe o que custar. Já Greca tem um capital político forte e consistente em Curitiba e região metropolitana, colégios eleitorais decisivos em um pleito estadual.
Ratinho Junior tem repetindo exaustivamente que deseja um candidato que represente o momento atual vivido pelo Paraná e que não traga para o estado a polarização nacional.
Na última sexta-feira (27), após a assinatura da ordem de serviço para construção do novo mercado de flores do Ceasa de Curitiba, o governador disse que sua responsabilidade é ajudar a construir um nome com capacidade técnica para manter o ritmo de crescimento do Paraná e preservar o ambiente de união e estabilidade política.
Ratinho garante que a escolha não será individual. Disse que pretende ouvir prefeitos, deputados, secretários, representantes da sociedade civil organizada, setor produtivo e cooperativismo antes de definir o nome que representará a continuidade do projeto político.
O governador que mais investiu no Litoral

O último ato de Ratinho Junior no governo do Paraná deverá ser a inauguração da Ponte de Guaratuba, que fará a sonhada ligação viária entre os municípios de Matinhos e Guaratuba e colocará um ponto final em décadas de travessia por ferry-boat. A obra, um arrojado projeto de engenharia, tem tudo para se tornar a principal marca dos dois mandatos dele.
Na última semana foi finalizada a instalação do último estai (cabo de aço) da ponte, completando uma das etapas mais complexas da obra. O trecho estaiado é responsável por sustentar a parte central da estrutura e também se destaca como marco visual sobre a Baía de Guaratuba. Nos próximos dias deverá ocorrer o encontro dos dois lados da estrutura – o famoso “beijo” da ponte, etapa carregada de simbolismo e que sinaliza a reta final da obra.
A entrega da ponte será o ápice de uma série de investimentos feitos por Ratinho Junior no Litoral do Paraná. Nunca antes um governador apostou tanto na costa do estado. Entre as realizações estão a engorda da praia de Matinhos (projeto que passou décadas no papel); o festival Verão Maior Paraná e seus shows gratuitos; a nova ponte da Ilha de Valadares, em Paranaguá, e a revitalização da orla de Pontal do Paraná, só para citar alguns.
Ratinho Junior também já autorizou a duplicação da PR-412, entre Garuva (SC) e Guaratuba. A obra deve resolver o problema dos congestionamentos na estrada em feriados prolongados e na alta temporada, mas a entrega ficará para o próximo governador.
Fonte: Sérgio Luis de Deus RIC




