É cada vez mais real a possibilidade de Ratinho Jr (PSD) virar candidato a presidente da República em 2026. Nesta segunda-feira (26 de janeiro), o presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, descartou a possibilidade de seu partido apoiar Flávio Bolsonaro (PL) na corrida pelo Palácio do Planalto. Ainda segundo ele, a sigla terá um candidato próprio caso o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), não se candidate à Presidência.
“O PSD tem uma posição muito clara. Se o governador Tarcísio for candidato, o PSD irá apoiá-lo. Caso ele não seja candidato, nós temos dois pré-candidatos, dois excelentes governadores”, declarou o cacique do PSD.
Os nomes que Kassab cita são os de Ratinho Jr, governador do Paraná, e Eduardo Leite, que comanda o Rio Grande do Sul. E as chances do paranaense ter vez na disputa parecem ter aumentado nas últimas semanas, já que Tarcísio disse recentemente que apoiaria o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro e que priorizava buscar a reeleição em São Paulo neste ano.
Se confirmada a candidatura de Ratinho Jr, o Paraná teria, pela quarta vez, um político local disputando o mais alto cargo do país. As outras trêsocasiões em que isso ocorreu foram em 1989, na primeira eleição presidencial direta após a ditadura militar (1964-1985) e a promulgação da Constituição Federal de 1988; e em 2018.
Os primeiros paranaenses que sonharam com a Presidência
Affonso Alves de Camargo Netto
Nascido em 30 de abril de 1929 e falecido em 24 de março de 2011, aos 81 anos, o curitibano Affonso Alves de Camargo Netto foi o primeiro paranaense a disputar o cargo de presidente da Republica. Ele participou do pleito de 1989, concorrendo pelo PTB (Partido Trabalhista Brasileiro).
Na época em que entrou na disputa presidencial, Affonso Camargo Neto era senador pelo Paraná. Além disso, entre 1985 e 1986, foi ministro dos Transportes do Brasil, no governo José Sarney. Antes, também foi vice-governador do Paraná, entre 1964 e 1965.
Sua candidatura, contudo, não prosperou. No 1º turno, somou 379.284 votos (0,56% do total), ficando em 11º lugar numa disputa que envolveu 22 nomes. No segundo turno já apoiou Fernando Collor, que derrotou Luiz Inácio Lula da Silva no 2º turno e foi eleito presidente do Brasil.
Na sequência, Affonso Camargo Netto foi ainda ministro dos Transportes e das Comunicações, já no final do governo Collor, entre abril e outubro de 1992. Entre 1995 e 2011, depois de deixar o Senado, foi deputado federal pelo Paraná por quatro mandatos consecutivos.
Zamir Teixeira
O economista paranaense, nascido em Palmeiras, no dia 18 de junho de 1942, fez carreira política em Campo Mourão, no centro-oeste do Paraná, onde disputou o cargo de vereador, em 1963. Acabou reeleito duas vezes, em 1969 e 1972. Depois, se mudou para o Acre e por lá foi ainda suplente do senador Nabor Júnior.
Seu grande momento, porém, foi em 1989, quando disputou a presidência da República pelo Partido Comunitário Nacional (PCN). Ficou em 15º lugar naquele pleito, com 187.164 votos, o equivalente a 0,28% do total.
Meses antes da eleição, porém, ele ainda tentou oferecer seu espaço para Silvio Santos, dono do SBT, entrar na disputa em seu lugar. O apresentador, contudo, optou pelo PMB e depois teve sua candidatura impugnada pela Justiça Eleitoral.
Há, no entanto, poucas informações sobre a situação atual de Zamir. Uma reportagem do Estadão, de 2024, aponta que ele ainda estava vivo, atuando como empresário e residindo em Curitiba. Já numa entrevista à Folha de Londrina, ele disse ter largado a política. “Tudo o que fiz e não deu certo, não faço mais”, declarou.
Quase 30 anos depois, mais um senador e candidato a presidente
Álvaro Dias
Em 2018, quase 30 anos depois da tentativa de Affonso Camargo Netto, outro nome criado no Paraná tentou chegar ao Palácio do Planalto. Foi o então senador Álvaro Dias, que na época estava no Podemos (PODE). Ele foi para o pleito como uma espécie de “porta-voz” do lavajatismo, defendendo pautas de combate à corrupção e reformas institucionais.
Embora seja paulista, já que nasceu na cidade de Quatá no dia 7 de dezembro de 1944, Álvaro Dias construiu toda a sua história no Paraná. Ele se criou em Maringá, no norte do Estado, onde foi radialista. Formou-se em História em Londrina, em 1967, e iniciou pouco tempo depois sua trajetória política, como vereador de Londrina, entre 1969 e 1971. Depois, chegou ao cargo de deputado estadual (de 1971 a 1975), de deputado federal (de 1975 a 1983) e também foi governador do Paraná (de 1987 a 1991). Foi ainda eleito e reeleito diversas vezes para Senado, ocupando o cargo de senador pelo Paraná de 1983 a 1987, pela primeira vez, e depois de 1999 a 2023.
Em 1989, inclusive, ele chegou a disputar as prévias para ser o candidato do PMDB à presidência da República, mas acabou derrotado por Ulysses Guimarães. Foi só em 2018, então, que teve a oportunidade de disputar o cargo de presidente da República, quando já estava no pequeno Podemos.
Na disputa presidencial, porém, somou apenas 859.601 votos, o equivalente a 0,8% do total. Com isso, ficou em 9º lugar numa disputa com outros 13 nomes. No 2º turno, Jair Bolsonaro (então no PSL) acabou eleito ao ganhar de Fernando Haddad (PT). Álvaro Dias e seu partido, porém, declararam-se neutros na reta final da disputa.
Fonte: de Rodolfo Luis Kowalski por Bem Paraná




