Dando sequência ao calendário de aulas magnas, a coordenação do curso de Psicologia da Fatec Ivaiporã realizou aula magna na quarta-feira, dia 4 de março, com o tema: Do Cumprimento da NR-1 ao Compromisso com o Humano: o papel do psicólogo nas organizações.
Para debater o tema a coordenadora do curso de Psicologia, Vanessa Gonçalves, convidou o psicólogo e gestor de Gente & Gestão da Cresol, Marco Pimenta.Trata-se de um tema atual e necessário para formação acadêmica. A NR-1 do Ministério do Trabalho e Empregopassou a integrar a saúde mental ao Programa de Gerenciamento de Riscos das empresas.
“O curso de Psicologia da Fatec sempre buscou acompanhar as mudanças na atuação profissional e debatercom os acadêmicos. A Síndrome de Burnout, ansiedade edepressão, por exemplo, são recorrentes em ambientes de trabalho. Mas precisam ser enfrentadas com cuidado”, defendeu Vanessa Gonçalves. A NR-1 passou a exigir que as empresas identifiquem e monitorem riscos psicossociais no ambiente de trabalho, com início das fiscalizações previsto para o mês de maio.
Afastamentos
Em 2025, a Previdência Social concedeu 546.254 benefícios por transtornos mentais e comportamentais – crescimento de 15,66% em comparação a 2024, quando foram concedidos 472.328 benefícios. Para Marco Pimenta, os números comprovam que o sofrimento psíquico passou a ter caráter sistêmico. “Quando os afastamentos se tornam recorrentes, o problema raramente é apenas individual. Em vez de questionar o que há de errado com a pessoa, é necessário analisar o que há no ambiente que pode contribuir com o adoecimento”, diferenciou.
Marco Pimenta acredita que muitas empresas enfrentarão dificuldades para adaptar a NR-1. “Historicamente, a saúde mental foi tratada como questão individual – passando a ser reconhecida como risco organizacional, exigindo diagnóstico, plano de ação e monitoramento, o que profissionalizou o cuidado e colocou o psicólogo como peça-chave no processo”, explicou.
Sobre a cultura da alta performance o palestrante observou que o problema não está na busca por resultados e sim na ausência de limites. “O que adoece é a cobrança sem propósito, sem diálogo e sem respeito. Empresas conscientes conseguem manter equipes produtivas e saudáveis por mais tempo”, pontuou.
Gestores
No que se refere ao preparo das lideranças o palestrante avaliou que muitos gestores foram formados para entregar resultados técnicos. Mas não receberam capacitação para lidar com sofrimento emocional nas equipes. “O líder não precisa ser terapeuta e sim saber identificar sinais, escutar com empatia e encaminhar adequadamente situações de sofrimento”, sugeriu.
Ao falar sobre o futuro da profissão, Marco Pimenta afirmou que a tecnologia pode auxiliar na análise de indicadores e métricas. Mas não substitui a escuta qualificada. “A inteligência artificial pode ser ferramenta estratégica. Mas o olhar humano continuará essencial nas organizações”, concluiu.
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