O secretário de Estado da Educação do Paraná (SEED-PR), Roni Miranda, publicou um vídeo na manhã deste sábado (31) para garantir matrículas na rede estadual aos alunos do 6º ao 9º ano do Ensino Fundamental. A declaração busca tranquilizar as famílias após a Prefeitura de Curitiba confirmar a suspensão gradual da oferta dessas séries em 11 escolas municipais, com interrupção de novas turmas de 6º ano a partir de 2027.
A mudança afetará cerca de 3 mil alunos e será feita em um período de transição de quatro anos. O secretário municipal da Educação, Paulo Afonso Schmidt, afirmou que o município já trabalha em conjunto com o Estado para encaminhar os estudantes que concluem o 5º ano em 2026. Para reforçar a viabilidade da transição, Roni Miranda destacou que a rede estadual possui 142 colégios espalhados por Curitiba, embora ainda não tenha detalhado em quais unidades os alunos serão alocados.
Apesar da promessa de vagas, a decisão provocou forte reação. O deputado estadual Arilson Chiorato (PT), líder da Oposição na Assembleia Legislativa do Paraná (Alep), protocolou um requerimento solicitando explicações detalhadas à SEED. O parlamentar questiona a necessidade da medida, destacando que a Prefeitura de Curitiba não sofre de falta de recursos, visto que aprovou um orçamento de mais de R$ 14 bilhões e registrou superávit de R$ 1,13 bilhão até agosto.
Chiorato alerta que a transferência desfaz vínculos comunitários, aumenta o tempo e custo de deslocamento para as famílias e ameaça a continuidade de projetos de robótica e iniciação científica em escolas de referência, como o Centro de Ensino Durival Britto e Silva e a Escola Omar Sabbag. Há também uma preocupação especial com estudantes com deficiência, transtorno do espectro autista (TEA) e altas habilidades — atendidos em unidades como a Escola Papa João XXIII —, que correm o risco de perder acompanhamento especializado e laços pedagógicos já consolidados.
No âmbito profissional, o sindicato da categoria estima que mais de 300 professores municipais terão suas atividades impactadas pela reestruturação, ainda sem um plano claro de realocação definido.
A incerteza é agravada pelo cenário político: com a posse de uma nova administração estadual marcada para janeiro de 2027 após as eleições de 2026, a oposição cobra garantias de que os acordos firmados atualmente entre a gestão municipal e o atual governo do Estado serão mantidos e respeitados pela equipe de transição.
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